Quarta, 21 de Outubro de 2026 13:04
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Comportamento Agronegócio

Alta do boi gordo anima pecuária, mas custos de produção pressionam margens em 2026

Presidente do Sindicato Rural de Itapirapuã, Edgard Scatena Filho analisa os efeitos do consumo de fim de ano, das exportações e do preço dos animais de reposição sobre a rentabilidade e aponta os desafios para 2027.

21/10/2026 10h40
Por: Carol Pedrosa Fonte: Panorama Comunicacao
foto:divulgacao
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A pecuária brasileira chega à reta final de 2026 com perspectivas favoráveis para a valorização do boi gordo, impulsionadas pela demanda interna e pelas exportações. Apesar do cenário positivo, os produtores precisam manter atenção aos custos de produção, especialmente aos preços dos bezerros e dos grãos utilizados na alimentação animal, que podem reduzir as margens mesmo em períodos de mercado aquecido.

Para o médico-veterinário, produtor rural e presidente do Sindicato Rural de Itapirapuã, Edgard Scatena Filho, a alta da arroba representa uma oportunidade, mas não garante, por si só, melhores resultados financeiros.

“O mercado está favorável, mas isso não significa que o produtor possa baixar a guarda. Os custos de produção continuam oscilando e a reposição está cara. É preciso fazer contas, acompanhar o mercado e utilizar mecanismos de proteção para preservar as margens”, avalia.

Consumo e exportações influenciam o mercado

A proximidade das festas de fim de ano, período tradicionalmente associado ao aumento do consumo de carne, pode contribuir para sustentar os preços em novembro e dezembro. As exportações também seguem entre os fatores que influenciam o mercado e o valor recebido pelos pecuaristas.

“O fim do ano costuma trazer um aumento no consumo, e isso favorece o mercado. Ao mesmo tempo, temos a perspectiva de ampliação das vendas internacionais, com novos mercados e a demanda de compradores tradicionais, como a China. Esses fatores podem contribuir para manter a arroba em patamares favoráveis”, explica Edgard.

A demanda internacional interfere na dinâmica de oferta e procura da carne bovina. No mercado interno, porém, uma eventual valorização do boi gordo não se traduz necessariamente em aumento imediato e proporcional para o consumidor. O preço final da carne também depende de etapas como processamento, transporte e comercialização.

Reposição e alimentação exigem planejamento

Dentro das propriedades, o principal desafio é equilibrar o valor obtido na venda dos animais com as despesas necessárias para produzi-los. O preço elevado dos bezerros e a oscilação dos grãos utilizados na alimentação exigem atenção de pecuaristas que trabalham com recria, engorda e confinamento.

“Quem compra um animal de reposição mais caro e ainda precisa arcar com uma dieta de custo elevado deve acompanhar cada despesa. O confinador, principalmente, precisa avaliar o preço dos grãos e calcular o custo da arroba produzida. Sem esse controle, mesmo em um mercado valorizado, existe risco de prejuízo”, alerta o presidente do sindicato.

Nesse cenário, o acompanhamento dos indicadores financeiros da propriedade se torna essencial para avaliar o momento de compra e venda dos animais, dimensionar os investimentos e reduzir os riscos associados às oscilações do mercado.

Eficiência produtiva será decisiva em 2027

Para 2027, Edgard projeta perspectivas positivas para os preços da arroba, mas ressalta que a rentabilidade dependerá cada vez mais da eficiência produtiva e da capacidade de gestão. Entre as medidas apontadas estão o investimento em genética, a recuperação das pastagens, a suplementação estratégica e o controle sanitário do rebanho.

“Precisamos investir em genética de qualidade, melhorar as pastagens e manter programas sanitários eficientes. A tecnologia também precisa estar presente na propriedade, desde o monitoramento do peso dos animais até o controle das atividades. O produtor que acompanha seus números consegue tomar decisões melhores”, afirma.

O uso de tecnologias de monitoramento e gestão pode ajudar a identificar oportunidades de melhoria no desempenho dos animais, acompanhar os custos e tornar o planejamento mais preciso. A adoção de práticas adequadas de manejo também contribui para aumentar a produtividade e utilizar melhor os recursos disponíveis.

Rastreabilidade ganha importância

Outro ponto destacado pelo especialista é a necessidade de acompanhar as exigências dos mercados compradores, especialmente em relação à rastreabilidade, às certificações e à responsabilidade na produção.

“Cada vez mais, o mercado exige eficiência, controle e responsabilidade na produção. Precisamos acompanhar essas mudanças para produzir melhor, atender aos compradores e manter a competitividade da pecuária brasileira”, conclui.

Com perspectivas de valorização, mas diante de custos que seguem pressionando a atividade, a reta final de 2026 reforça a importância do planejamento financeiro e da gestão eficiente. Para o pecuarista, acompanhar o mercado e conhecer os números da própria propriedade será fundamental para transformar oportunidades de preço em resultados sustentáveis no próximo ano.

Acompanhe: @sindicatoruralitapirapua | @edgardscatenafilho

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