Vivemos em um tempo em que estar ocupado quase virou sinônimo de produtividade. A rotina começa cedo, atravessa compromissos, mensagens, trabalho, relações, notificações e termina, muitas vezes, sem que haja espaço para simplesmente parar. Nesse cenário, cuidar da saúde mental deixa de ser apenas uma escolha e passa a fazer parte da construção de uma vida mais equilibrada.
Dados recentes do Ministério da Saúde apontam crescimento superior a 30% na procura por atendimentos psicológicos no Sistema Único de Saúde (SUS) nos últimos três anos. No cenário global, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que cerca de 1 bilhão de pessoas convivam com algum transtorno mental. Depressão e ansiedade estão entre os quadros mais prevalentes.
No Brasil, a ansiedade também representa um desafio significativo. Para a psicóloga Fernanda César Milmes, que atende no centro clínico do Órion Complex, em Goiânia, o aumento da procura por psicoterapia não deve ser interpretado apenas como sinal de maior adoecimento.
“Esse movimento não significa necessariamente que as pessoas estejam mais adoecidas, mas também que existe hoje uma maior abertura para reconhecer o sofrimento psíquico e buscar cuidado. A psicologia passou a ocupar um espaço mais presente na compreensão da saúde mental, do autoconhecimento e das relações”, explica.
Quando a vida pede mais do que conseguimos entregar
A dificuldade de estabelecer limites talvez seja um dos reflexos mais evidentes da rotina contemporânea. A cobrança por produtividade, os desafios nos relacionamentos, a sobrecarga e a sensação permanente de que é preciso dar conta de tudo podem afetar diretamente o bem-estar emocional.
“A rotina acelerada, a cobrança por produtividade, as dificuldades nos relacionamentos, a sobrecarga e a sensação constante de precisar ‘dar conta de tudo’ podem gerar impactos importantes na saúde emocional”, afirma Fernanda.
Para a psicóloga, existe ainda uma contradição característica dos nossos tempos: temos inúmeras ferramentas para permanecer conectados, mas nem sempre conseguimos estabelecer conexão com aquilo que sentimos.
“Talvez o grande desafio da saúde mental atualmente seja que aprendemos a estar disponíveis para tudo, menos para nós mesmos”, observa.
O impacto de estar sempre conectado
As redes sociais também fazem parte dessa equação. Embora não sejam responsáveis isoladamente pelo sofrimento psíquico, podem intensificar determinados sentimentos ao estimular comparações, excesso de informação e busca constante por validação.
A vida exibida nas telas, afinal, é apenas um recorte. Ainda assim, quando consumida de maneira excessiva, pode criar a impressão de que todo mundo está vivendo melhor, produzindo mais, viajando mais ou sendo mais feliz.
“Elas não são, por si só, responsáveis pelo sofrimento psíquico, mas podem intensificá-lo ao favorecer comparações, excesso de informações, busca por validação e uma percepção distorcida de que todos estão vivendo vidas melhores ou mais felizes”, explica a especialista.
E existe uma ironia nessa hiperconectividade: quanto mais canais temos para falar, nem sempre mais próximos estamos.
“Estamos cada vez mais conectados, mas isso não significa necessariamente que estamos mais próximos”, pontua.
Pequenas escolhas também são formas de cuidado
Manter a saúde mental não significa construir uma rotina livre de problemas. A vida continuará trazendo imprevistos, frustrações, perdas, conflitos e momentos de ansiedade. O cuidado está também na capacidade de reconhecer o que sentimos e desenvolver recursos para atravessar essas situações.
“Cuidar da saúde mental não é eliminar os problemas, mas desenvolver recursos para atravessá-los sem perder de vista quem somos e aquilo que precisamos”, afirma Fernanda.
Nesse processo, algumas atitudes cotidianas podem fazer diferença:
Respeitar os próprios limites
Nem tudo precisa ser resolvido imediatamente — e ninguém precisa dar conta de tudo o tempo inteiro.
Construir uma rotina possível
Sono adequado, alimentação, atividade física, lazer e momentos de descanso não devem ser vistos como luxo, mas como parte do cuidado integral.
Reavaliar a relação com as redes sociais
Observar como determinados conteúdos afetam pensamentos, autoestima e emoções pode ajudar a estabelecer uma relação mais saudável com o ambiente digital.
Preservar os vínculos
Amizades, família, relações afetivas e espaços de pertencimento podem funcionar como importantes redes de apoio emocional.
Permitir-se sentir
Estar bem não significa estar feliz o tempo todo. Reconhecer tristeza, medo, raiva, frustração e cansaço também faz parte da saúde emocional.
Pedir ajuda
A psicoterapia pode oferecer um espaço de acolhimento, escuta e elaboração para compreender sentimentos e construir novas formas de lidar com as situações da vida.
Desacelerar também é movimento
Em uma sociedade que valoriza velocidade, disponibilidade e desempenho, talvez uma das formas mais importantes de autocuidado seja reconhecer que nem todo momento precisa ser produtivo.
Parar, respirar, estabelecer limites, dormir, encontrar quem faz bem, desconectar-se das telas ou simplesmente perceber como estamos são atitudes aparentemente simples, mas que ajudam a recuperar algo que a rotina acelerada frequentemente rouba: a capacidade de estar presente na própria vida.
Neste Dia do Psicólogo, a reflexão proposta pela especialista passa justamente por esse movimento. Cuidar da mente não significa buscar uma existência perfeita ou livre de dificuldades. Significa criar espaço para si mesmo dentro da vida que já existe — e reconhecer que pedir ajuda também é uma forma de cuidado.
Marcas O Boticário promove ação de compre e ganhe em duas lojas de Goiânia
Saude HUGO abre 30 vagas para residência médica com ingresso em 2027
Beleza Roni Guttemberg: da descoberta da beleza ao próprio salão em Goiânia
Tecnologia Vagas de estacionamento ganham nova função com expansão dos carros elétricos
ESPORTE Da obesidade na infância aos milhões no setor fitness: a trajetória de Lucas Trainer
ESPORTE Do cilindro de oxigênio ao palco: treinador goiano prepara atleta com fibrose cística para novo desafio no fisiculturismo Mín. 21° Máx. 32°
Mín. 20° Máx. 30°
Chuvas esparsasMín. 20° Máx. 32°
Tempo limpo