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Comportamento Saude

Formação médica entra no debate nacional e expõe desafios que vão além da abertura de novos cursos

Discussão sobre qualidade do ensino, distribuição de profissionais e desigualdades regionais coloca em pauta os caminhos para formar médicos e ampliar o acesso à saúde no Brasil

31/08/2026 07h19
Por: Carol Pedrosa Fonte: Instituto Exito
foto:divulgacao
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A formação de médicos voltou ao centro do debate nacional e, junto com ela, uma questão que ultrapassa a discussão sobre o número de faculdades de medicina no país: como garantir uma formação de qualidade e, ao mesmo tempo, ampliar o acesso da população a profissionais qualificados em todas as regiões brasileiras?

O tema ganhou espaço no debate eleitoral e coloca em evidência diferentes desafios da educação médica. De um lado, existe a necessidade de estabelecer critérios rigorosos para a abertura e o funcionamento dos cursos. De outro, está a realidade de um país marcado por profundas desigualdades na distribuição de médicos, especialistas e estruturas de saúde.

Para Janguiê Diniz, diretor-presidente da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES), questionar a qualidade dos cursos e cobrar rigor na formação são medidas necessárias, mas a discussão precisa considerar a complexidade do cenário brasileiro.

Segundo ele, o compromisso com uma boa formação deve estar acima da natureza pública ou privada da instituição. As universidades e faculdades particulares, nesse contexto, também desempenham papel relevante na formação de médicos e outros profissionais de saúde que atuam em diferentes regiões do país.

Qualidade e expansão

O crescimento da oferta de cursos de medicina trouxe novas oportunidades de formação, mas também ampliou a necessidade de fiscalização, avaliação e acompanhamento da qualidade do ensino.

A formação médica envolve uma estrutura complexa, que passa pela qualificação do corpo docente, infraestrutura, laboratórios, hospitais, unidades de saúde, experiências práticas e, posteriormente, pela residência médica.

Por isso, discutir a expansão do ensino médico apenas pela quantidade de cursos existentes pode deixar de lado uma parte essencial do problema: que tipo de profissional está sendo formado e em quais condições?

Para Diniz, reconhecer a necessidade de aprimoramento não significa desqualificar todo o trabalho realizado pelas instituições privadas. O desafio, segundo ele, é estabelecer parâmetros capazes de assegurar uma formação sólida, independentemente da instituição responsável pelo curso.

O mapa desigual dos médicos

Outro ponto central da discussão é a distribuição dos profissionais pelo território brasileiro.

Embora o país tenha ampliado significativamente o número de médicos nas últimas décadas, a presença desses profissionais continua concentrada nos grandes centros urbanos. Municípios do interior e regiões com menor infraestrutura enfrentam dificuldades para atrair e manter especialistas.

A consequência aparece no cotidiano da população. Consultas que demoram meses para serem realizadas, pacientes que precisam viajar para outras cidades em busca de atendimento especializado e dificuldades para estruturar equipes de atenção primária são reflexos de um problema que não se resolve apenas com a formação de novos médicos.

Nesse cenário, educação e políticas públicas precisam caminhar juntas.

Formar e fixar profissionais

A discussão sobre a formação médica também leva a outra pergunta: como fazer com que os profissionais permaneçam nas regiões onde existe maior necessidade de atendimento?

A resposta envolve diferentes fatores, como oportunidades de trabalho, infraestrutura, remuneração, possibilidades de especialização e qualidade de vida.

Por isso, ampliar o número de médicos formados não necessariamente significa solucionar os vazios assistenciais existentes no país. É preciso criar condições para que esses profissionais encontrem perspectivas de carreira também fora dos grandes centros.

Um debate que exige responsabilidade

A discussão sobre o futuro da formação médica brasileira é legítima e necessária. A sociedade precisa cobrar qualidade, transparência e critérios rigorosos para a formação de profissionais responsáveis por uma das áreas mais sensíveis da vida pública.

Ao mesmo tempo, o debate eleitoral exige propostas capazes de enfrentar o problema em sua dimensão completa, evitando generalizações que coloquem instituições públicas e privadas em lados opostos de uma questão que é, essencialmente, nacional.

A formação médica pode ser aprimorada. Cursos precisam ser avaliados, problemas corrigidos e padrões de qualidade continuamente atualizados. Mas o desafio brasileiro vai além da sala de aula.

No fim, a questão central permanece: como formar médicos cada vez mais preparados e criar condições para que eles estejam onde a população mais precisa?

É a partir dessa pergunta que o debate sobre educação médica pode deixar de ser apenas uma disputa de modelos e se transformar em uma discussão concreta sobre o futuro da saúde no Brasil.

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