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Gastronomia Bares e Restaurantes

Bares e restaurantes vivem retomada e alcançam melhor resultado de lucro desde dezembro

Pesquisa da Abrasel mostra avanço de sete pontos percentuais na parcela de empresas que fecharam julho no azul; crescimento das vendas ajuda a sustentar recuperação do setor

31/08/2026 07h26
Por: Carol Pedrosa Fonte: Abrasel
foto:divulgacao
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Depois de meses convivendo com custos elevados e margens apertadas, bares e restaurantes brasileiros encontraram um pouco mais de fôlego em julho. Segundo levantamento da Abrasel, 42% dos estabelecimentos encerraram o mês com lucro — o melhor resultado desde dezembro de 2025, quando o índice havia chegado a 47%.

O desempenho representa uma melhora de sete pontos percentuais em relação a junho e sinaliza um cenário mais favorável para um dos setores mais sensíveis ao comportamento do consumidor.

Apesar do avanço, a recuperação ainda é desigual. Em julho, 20% das empresas registraram prejuízo, enquanto 37% ficaram em equilíbrio. Os números mostram que uma parcela significativa dos negócios ainda opera sem margem suficiente para transformar o aumento das vendas em resultado financeiro.

Mais movimento, mais faturamento

A melhora da lucratividade acompanha o desempenho das receitas. Para 46% dos estabelecimentos pesquisados, o faturamento de julho foi superior ao registrado no mês anterior. Outros 25% mantiveram o mesmo nível de receitas, enquanto 28% tiveram queda.

O cenário também aparece no Índice Abrasel-Stone, que apontou crescimento de 5,6% nas vendas do setor entre junho e julho. Na comparação com julho do ano anterior, o avanço chegou a 12,1%, mantendo uma sequência de dez meses consecutivos de crescimento.

Os números indicam que o consumidor continua movimentando o segmento, mas a recuperação das vendas precisa ser acompanhada pela capacidade dos empresários de preservar suas margens.

Preços sob pressão

Mesmo diante do aumento dos custos, bares e restaurantes seguem adotando cautela na hora de reajustar os preços.

De acordo com a pesquisa, 57% dos estabelecimentos fizeram reajustes iguais ou inferiores à inflação. Apenas 7% conseguiram aumentar os preços acima desse índice, enquanto 36% afirmaram não estar conseguindo repassar os aumentos de custos aos consumidores.

A estratégia revela um equilíbrio delicado. Para recuperar margens, os empresários precisam recompor parte das despesas, mas aumentos expressivos podem reduzir a frequência dos clientes e comprometer justamente o movimento que vem ajudando o setor a se recuperar.

Dívidas ainda limitam investimentos

O resultado positivo de julho não significa que as dificuldades financeiras ficaram para trás. Cerca de 37% dos estabelecimentos consultados disseram ter algum pagamento em atraso.

Entre as principais pendências aparecem os impostos federais, citados por 75% das empresas endividadas, seguidos pelos impostos estaduais, com 51%, e pelos empréstimos bancários, com 32%.

Para o presidente da Abrasel, Paulo Solmucci, a melhora da lucratividade ganha importância justamente porque pode criar espaço para que os empresários voltem a olhar para além das despesas imediatas.

Segundo ele, uma operação capaz de vender mais e preservar margem recupera gradualmente a capacidade de quitar dívidas, renovar equipamentos, contratar funcionários e realizar novos investimentos.

Um setor em recuperação

O desempenho de julho reforça uma tendência positiva para bares e restaurantes, mas também mostra que a retomada ainda acontece de maneira gradual.

O aumento das vendas é um sinal importante, mas o desafio agora é transformar maior movimento em sustentabilidade financeira. Com custos pressionando, preços tratados com cautela e dívidas ainda presentes no balanço de muitas empresas, o lucro passa a ser mais do que um indicador positivo: torna-se condição para que o setor volte a investir e crescer.

Depois de um período marcado por margens comprimidas, julho mostra que o setor voltou a respirar — ainda que com os olhos atentos aos custos e ao comportamento do consumidor.

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