A iniciativa aposta em um formato pouco convencional: em vez de concentrar o investimento de comunicação apenas em mídias tradicionais, o Museu vai contratar espaços publicitários dentro de centros culturais, casas, associações, salas, ateliês e outros locais permanentes ligados à Cultura Hip Hop no Rio Grande do Sul.
Ao todo, serão R$ 168 mil investidos, com a seleção de 14 espaços em dois ciclos semestrais. Cada equipamento escolhido receberá R$ 2 mil por mês durante seis meses, totalizando R$ 12 mil por entidade.
E tem um detalhe importante: os próprios espaços não precisarão arcar com a produção da publicidade. Impressão, instalação e manutenção dos materiais ficarão por conta do Museu.
A proposta é transformar uma ação de comunicação em uma oportunidade de fortalecimento da rede cultural que existe nos bairros e comunidades.
“Durante décadas, a Cultura Hip Hop construiu seus próprios espaços com esforço comunitário. O Programa Comunica reconhece que esses locais são veículos permanentes de formação, acolhimento e transformação social”, explica Rafa Rafuagi, rapper, produtor cultural, educador e fundador do Museu.
Segundo ele, a ideia é ir além dos tradicionais outdoors e fazer com que o investimento chegue diretamente aos lugares onde a cultura acontece no dia a dia.
Mais do que publicidade
O projeto não termina no repasse financeiro.
Os espaços selecionados também passam a integrar oficialmente a Rede Parceira Museu da Cultura Hip Hop RS, funcionando como pontos de informação para divulgar programações, oficinas, editais e outras iniciativas da instituição.
E há ainda um segundo movimento, voltado para a memória.
Cada espaço parceiro deverá destinar ao acervo do Museu pelo menos 50 itens que ajudem a contar a história do Hip Hop em seu território. Podem entrar nessa coleção fotografias, fanzines, cartazes, panfletos, camisetas, documentos e materiais audiovisuais.
Na prática, o programa cria uma rede que une três frentes: recurso, comunicação e preservação histórica.
Quem pode participar?
Podem se inscrever pessoas jurídicas, associações, Organizações da Sociedade Civil, fundações, institutos e coletivos formalmente representados que tenham atuação comprovada e contínua no Hip Hop gaúcho.
Entre os critérios de seleção estão o histórico de atuação, a infraestrutura disponível e a circulação de público, que deve ser de pelo menos 500 pessoas por mês.
O edital também prevê prioridade para municípios do interior que historicamente tiveram menos acesso aos recursos culturais estaduais.
As inscrições ficam abertas por 30 dias a partir da publicação do edital.
Uma cultura que também constrói memória
Inaugurado em 2023, durante as comemorações dos 50 anos do Hip Hop no mundo, o Museu da Cultura Hip Hop RS é o primeiro museu da América Latina dedicado ao movimento.
Localizado em um espaço de quatro mil metros quadrados, o complexo reúne mais de 6,5 mil itens de acervo físico e digital sobre a história do Hip Hop gaúcho.
Tem salas expositivas, biblioteca, estúdio musical, ateliê de oficinas, café, loja, estufa agroecológica, multipalco e a Quadra Petrobras.
Mas talvez uma das maiores riquezas esteja justamente fora de suas paredes: nas histórias, nos espaços e nas pessoas que ajudaram a construir o movimento em diferentes cidades do Rio Grande do Sul.
É aí que o Programa Comunica ganha força. Ao transformar espaços culturais em parceiros, pontos de informação e também guardiões de memória, o Museu amplia sua atuação pelo Estado.
No fim, a proposta é simples — e bastante potente: fazer a verba circular onde a cultura já está acontecendo.
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